O setor do tabaco no Brasil vive um momento de tensão entre produtores e indústria. Nos últimos dias, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) afirmou que qualquer mudança nas negociações de preços do produto depende de análise e autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A discussão ganhou força após entidades de produtores levarem ao Cade reclamações sobre o atual modelo de negociação, considerado desfavorável aos agricultores. Segundo representantes do setor rural, os custos de produção cresceram fortemente nos últimos anos, enquanto os reajustes pagos pela indústria não acompanham a mesma velocidade.
O SindiTabaco argumenta que o Brasil enfrenta um cenário internacional cada vez mais competitivo. Países produtores ampliaram sua produção nos últimos anos, pressionando os preços globais e reduzindo a margem de competitividade brasileira. Dados do setor apontam queda de 12,23% no volume exportado de tabaco entre janeiro e abril de 2026, além de retração de 22,8% no faturamento das exportações.
Outro ponto levantado pela entidade é o aumento do custo da mão de obra familiar nas propriedades rurais. De acordo com informações apresentadas pelo sindicato, os custos ligados à mão de obra cresceram acima da inflação nos últimos anos, impactando diretamente a formação dos preços do tabaco.
Enquanto isso, produtores defendem maior previsibilidade nas negociações e pedem mecanismos que garantam preços mínimos mais justos. O tema agora segue em debate dentro do Cade e também em fóruns técnicos ligados ao setor produtivo.
O Brasil segue como líder mundial na exportação de tabaco, mas especialistas do setor alertam que a manutenção dessa posição dependerá do equilíbrio entre competitividade internacional, sustentabilidade econômica e valorização do produtor rural.
Por Donfa News



