A chegada dos óculos inteligentes ao mercado começou a provocar um novo debate no Brasil. Dispositivos como Meta Ray-Ban e projetos de Android XR, que prometem integrar inteligência artificial ao cotidiano das pessoas, agora estão na mira do Congresso Nacional por causa do uso ao volante.
A Comissão de Viação e Transportes aprovou uma emenda ao Projeto de Lei 19/2026 que pretende restringir o uso desse tipo de tecnologia durante a condução de veículos. O foco da proposta não é proibir os óculos inteligentes completamente, mas impedir que motoristas utilizem dispositivos que interfiram no campo de visão ou criem distrações cognitivas enquanto dirigem.
O texto chama atenção pela rigidez. Segundo a proposta, motoristas flagrados utilizando óculos capazes de projetar vídeos, captar imagens em tempo real ou interagir com inteligência artificial poderão cometer infração gravíssima.
A preocupação surgiu porque a nova geração de dispositivos vai muito além de simples lentes. Alguns modelos conseguem responder perguntas, gravar vídeos, exibir informações na visão do usuário e até executar comandos por voz em tempo real. Para especialistas em segurança viária, isso pode criar um nível de distração semelhante — ou até superior — ao uso do celular ao volante.
Ao mesmo tempo, cresce o questionamento sobre até onde o poder público deve limitar o uso de tecnologias pessoais. Defensores da inovação afirmam que os sistemas podem futuramente aumentar a segurança dos motoristas com navegação inteligente, alertas de risco e assistência em tempo real.
O problema é que a tecnologia está avançando mais rápido do que as leis. E agora o Brasil começa a discutir algo que poucos imaginavam há alguns anos: como será dirigir em um mundo dominado por inteligência artificial integrada ao corpo humano.
E você: acha que os óculos inteligentes representam perigo real no trânsito ou o Congresso está exagerando nas restrições?



