Existe um termo milenar no Japão escrito com quatro caracteres que representam quatro árvores que florescem na primavera: a Cerejeira, a Ameixeira, o Pessegueiro e o Damasqueiro. Essa palavra é Oubaitori (桜梅桃李).
Mais do que apenas nomear a natureza, o Oubaitori é uma lição profunda sobre a nossa própria existência.
Cada uma dessas quatro árvores produz flores extraordinárias, mas nenhuma delas floresce ao mesmo tempo. Nenhuma delas tenta imitar a cor da outra. O pessegueiro não compete com a cerejeira, e o damasqueiro não se sente um fracasso porque a ameixeira floriu primeiro.
Cada árvore olha apenas para as suas próprias raízes, aguarda o seu próprio chamado e oferece o seu perfume no momento exato em que deve oferecer. Elas apenas são, em sua singularidade absoluta.
Infelizmente, nós desaprendemos essa sabedoria. Vivemos em uma era de vitrines digitais, onde olhamos para o lado a cada segundo. Comparamos o nosso bastidor com o palco do outro. Cobramo-nos por não termos alcançado certas metas na mesma idade que alguém, ou por não termos a mesma calmaria e estabilidade que vemos em um post vizinho.
Essa comparação constante adoece a alma. Ela nos faz esquecer que a nossa vida tem um solo diferente, um clima diferente e um tempo de maturação único.
Praticar o Oubaitori no dia a dia é um ato de profunda autocompaixão e libertação:
Aceite as suas estações: Há invernos longos onde parece que nada está a acontecer, mas as suas raízes estão a crescer em silêncio debaixo da terra. Respeite esse tempo.
Olhe para dentro: A única comparação justa é aquela que você faz com quem você era ontem. O progresso do outro não determina o seu atraso.
Floresça onde você está: Não importa se você é a primeira ou a última árvore do jardim a abrir as pétalas. O seu valor não está na velocidade, está na autenticidade do seu desabrochar.
Tire esse peso invisível das suas costas. O universo não quer que você seja uma cópia perfeita de ninguém. Ele aguarda, pacientemente, pelo perfume único que só a sua alma pode espalhar.
”Não corra atrás do fluxo. Não tente ser ninguém além de você mesmo. É na sua própria natureza que reside a sua verdadeira paz.”
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