Aqui o amanhã já é hoje!

A possibilidade de um El Niño muito forte adiciona uma nova camada de risco para a agropecuária brasileira.

Segundo a NOAA, dos Estados Unidos, este pode ser um dos episódios mais intensos desde 1950, quando começaram as medições do fenômeno. No Brasil, o El Niño costuma alterar o regime de chuvas: aumenta a precipitação no Centro-Sul e reduz as chuvas no Norte e no Nordeste.

Na prática, isso pode significar excesso de água em algumas regiões e seca, calor e irregularidade climática em outras.

Soja e milho estão entre as culturas mais vulneráveis. Se as chuvas atrasarem ou vierem de forma irregular antes do plantio, produtores podem ter que replantar áreas, como ocorreu em 2024, quando cerca de 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados por problemas climáticos.

O impacto também pode atingir o milho de segunda safra e o algodão, já que o atraso no plantio da soja reduz a janela ideal para as culturas seguintes.

No café, a atenção se volta para a florada, etapa essencial para a formação da próxima safra. Chuvas fora de época, calor excessivo ou irregularidade hídrica podem comprometer a recuperação dos estoques e pressionar preços.

A pecuária também entra no radar. Ondas de calor podem reduzir o desempenho dos animais, enquanto possíveis perdas em soja e milho tendem a encarecer a alimentação de aves, suínos e bovinos. No leite, excesso de chuva no Sul e seca no Sudeste e Nordeste podem limitar a produção.

Os efeitos serão desiguais: Norte, Matopiba e partes do Centro-Oeste podem enfrentar seca, queimadas e perdas; já o Sul pode sofrer com chuvas excessivas, enchentes e doenças fúngicas.

O El Niño mostra que o agro depende cada vez mais de planejamento climático, tecnologia, manejo de risco, conservação do solo e adaptação.

Em um país onde clima, alimento e economia caminham juntos, ignorar os extremos climáticos pode custar caro.

Post de Florestal Brasil

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