Aqui o amanhã já é hoje!

Dezessete anos semeando o melhor de cada um

Lucio Anneo Sêneca, filósofo, dramaturgo, político e escritor foi um dos expoentes culturais de
Roma do início da Era Cristã.

´Sobre a brevidade da vida” é sua obra mais conhecida e acabo de ler. E embora tenha sido
escrita há quase dois mil anos é extremamente atual pois, como sugere o próprio título, trata
da finitude da vida e de como escolhemos vivê-la.
Sêneca, um dos maiores expoentes do estoicismo nos ensina, citando o poeta Virgílio, que “
pequena é a parte da vida que vivemos”, pois todo o resto não é vida, mas somente tempo.
Essa foi uma das passagens do livro que grifei, e quem me conhece sabe que dificilmente leio
um livro sem deixar nele meus próprios sinais. Afinal, para mim, a boa leitura é sempre
recíproca : o livro me marca e eu o marco.
Em determinado momento me dei conta de que também muito me marcam os textos que
leio dos colegas da Academia Centro – Serra de Letras, entidade sem fins lucrativos cuja
missão é difundir a cultura por meio da literatura.
Ao fechar um livro milenar, decidi abrir outros dois, no caso, Vertentes II e III, escritos por
homens e mulheres desta Academia que hoje comemora seus 17 anos de existência e mostra
que, às portas da maioridade, exibe maturidade pelo trabalho contínuo e dedicado que vem
desenvolvendo ao longo de quase duas décadas.
Resolvi escrever este texto sobretudo como uma forma de reconhecimento a inegável
relevância da Academia para a vida cultural da nossa região. Minha escrita vem para reiterar o
orgulho que sinto por fazer parte desta história e saudar aqueles que semearam o caminho :
Eda Piccinin Bridi, Clara Montagner, Hélio Scherer, Gerson Lisboa, Luciano Turcato, entre
outros.
Da mesma forma que frases de Sêneca mereceram meus grifos, as dos autores da nossa
Academia também merecem destaque. A seguir, algumas delas
“A desinformação é a porta de entrada para ficarmos vulneráveis e á mercê dos poderosos.”
Alda Goettems
“ O amor não é a poesia falada. O amor é a poesia sentida.” Catiani Salvati
“Há um lado oculto na biografia de todos nós”. Clara Montagner
“Tempo… traga- me dias mais felizes, por favor/E para o inverno da minha alma mais calor
Nesse caminho tão incerto de viver”. Cleo Oliveira
“ Que idade tenho? Depende. Da companhia. Do meu humor. Do que eu quero conquistar.
Do que eu quero viver. E da história que eu quero deixar.” Darliana França
….”O esforço das formigas me faz pensar nas minhas experiências ao enfrentar dificuldades
que a vida apresenta, e que eu tenha sempre a persistência delas para não desanimar diante
dos percalços. Quero ter também a alegria das cigarras para cantar a beleza da vida…” Eda
Bridi

“Muito pior que um vírus letal, é o vírus da ganância e da falta de moral.” Eliana Weber
“Penso, e de tempo em tempo, logo repenso.”Ezequiel Redin

“Sem letras, o ser humano é um silêncio sem alma.” Gerson Lisboa
“Muito pior do que ser mal formado é ser mal informado.” Helio Scherer
“ É bom chorar. É como renovar sentimentos dentro de nós.” Índio Cândido
“ Mesmo em um labirinto, é preciso chegar em algum lugar.” Larissa Scherer
“…viajar numa boa história…esquecer do tempo e no silêncio de suas páginas, reencontrar-
me.” Louraci Pozzatti
“… no remanso reflito, as tempestades que passei. Se a sabedoria não alcancei, ainda me
resta o infinito.” Luciano Turcato
Com tanto a aprender, professores, pais, famílias, são as sementes já crescidas, que
diariamente se moldam para ensinar.” Nattana Redin
A mais bela escrita é aquela na qual a alma participa..” Scheila Secretti
E para fechar com chave de ouro, trago a frase que considero a mais bela definição da nossa
Academia, escrita pelo poeta Cesar Roberto Brixner. Com a precisão e a sensibilidade que só a
poesia alcança, proferiu: “A Academia é um pouco de todos e o melhor de cada um.”
Em tempos de tanto falar e de tão pouca escuta…
Em tempos de tantas poses e de tão poucos momentos…
Em tempos de tanto ostentar e de tão pouco sustentar…
Em tempos de tanto exibir e de tão pouco construir…
Em tempos de tanto brilho e de tão pouca luz…
Em tempos de tanto discurso e de tão pouco conteúdo…
Em tempos de tanta exposição e de tão pouca introspecção…
E é justamente em tempos assim que precisamos ler os grandes sábios do passado e o que
escreve a nossa gente.
Sempre há algo a ganhar com quem se desnuda em palavras.
Parabéns à Academia Centro Serra de Letras por nos fazer acreditar que, por meio da
literatura, é possível semear um mundo melhor.

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