Em entrevista concedida ao programa Giro Regional da Rádio Gazeta FM 96.1, nesta sexta-feira, 14 de agosto, a delegada de Polícia Graciela Foresti Chagas detalhou o andamento e a conclusão das investigações sobre os disparos de arma de fogo ocorridos no dia 1º de agosto, no Bairro Rio Branco, em Sobradinho. O crime, que deixou um homem gravemente ferido, envolve um policial militar e gerou forte repercussão no município.
De acordo com a titular da Delegacia de Polícia de Sobradinho, os procedimentos investigativos foram iniciados imediatamente após o ocorrido, visando apurar a conduta e a motivação do autor.
REGISTRO INICIAL
A delegada explicou que, por ter ocorrido durante o fim de semana, o registro inicial do fato foi realizado na Central de Polícia de Santa Cruz do Sul antes de ser remetido à comarca local. “Esse fato foi conduzido à Delegacia de Pronto Atendimento em Santa Cruz do Sul porque aconteceu num sábado. Os próprios superiores do autor dos disparos apresentaram ele à Polícia Civil no mesmo dia, logo na sequência dos fatos. Foi feito um registro de ocorrência policial em Santa Cruz do Sul e depois foi redirecionado para a nossa delegacia”, afirmou Graciela.
A titular da delegacia ressaltou que as forças de segurança atuaram com rigor e imparcialidade desde o primeiro momento. “Diferente do que a gente observou, de muitas pessoas talvez comentando no sentido de estarem preocupadas com uma eventual parcialidade ou omissão diante desses fatos, tanto a Polícia Civil cumpriu com seu papel legal e constitucional imediatamente, assim como a própria Brigada Militar fez a autuação em flagrante pelo crime militar que entenderam cabível naquele momento”, destacou.
PROVAS TÉCNICAS E PRISÃO PREVENTIVA
Apesar da circulação de vídeos do ocorrido nas redes sociais, a delegada enfatizou que a atuação policial exige a formalização de provas técnicas para respaldar pedidos de prisão junto ao Poder Judiciário. “Dentro de um procedimento investigatório, quando isso é judicializado, nós precisamos ter isso de uma forma documentada e obedecendo a critérios legais e técnicos. Nós não podemos apresentar para o Poder Judiciário uma imagem que circula em redes sociais para justificar um pedido de medida cautelar”, explicou.
“Um desses critérios, por exemplo, é a existência dos prontuários médicos, que demonstravam ali, de forma probatória, as lesões que a vítima tinha sofrido. Isso chegou na Polícia Civil no dia em que nós representamos. Era o último documento que estávamos aguardando para fazer esses pedidos cautelares”, completou.
Com o recebimento dos laudos, a Justiça decretou a prisão preventiva do investigado, que permanece recolhido no Presídio Militar em Porto Alegre.
CONFLITO POR PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO
De acordo com as investigações, a motivação dos disparos esteve relacionada a um histórico de desentendimentos entre o investigado e a vítima por conta do barulho gerado por uma oficina mecânica. “Essa foi uma das partes centrais da investigação, que era justamente tentar esclarecer a motivação desse fato. Nós avaliamos e documentamos a existência de atritos entre as partes que se iniciaram em 2024, em razão desses barulhos que seriam provocados pela oficina mecânica”, afirmou a delegada.
“Foram feitos vários registros por perturbação do sossego e instaurados alguns procedimentos na esfera judicial. O centro deste fato foi essa confrontação entre as partes que vinha de longa data. Nesse período de dois anos aconteceram vários eventos: discussões, enfrentamentos e agressões. Foi uma relação que foi se deteriorando ao longo de dois anos”, pontuou.
INTERROGATÓRIO E SITUAÇÃO DA VÍTIMA
Sobre o interrogatório do policial militar, Graciela informou que a defesa optou pelo direito constitucional do investigado de permanecer em silêncio. “Nós entramos em contato com os advogados que conduzem a defesa e ele não vai se manifestar. É um direito que o investigado tem de permanecer em silêncio. Ele vai se manifestar apenas na fase processual”, explicou.
Em relação à vítima, que permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a delegada avaliou que não seria adequado colher seu depoimento no momento, visto que o conjunto probatório reunido no inquérito já é consistente. “Diante do quadro que ele apresenta, de permanecer em Unidade de Terapia Intensiva, entendi que não seria adequada essa oitiva no momento por várias razões, até para não submeter ele e outras pessoas que estão nessa unidade a uma exposição desnecessária. Os elementos que nós temos na investigação não vão se modificar com uma eventual declaração dele neste momento”, argumentou.
PRAZO DO INQUÉRITO
Com a prisão preventiva decretada, os prazos legais para a conclusão do inquérito policial passam a ser mais rígidos. “Quando a gente tem a decretação de uma prisão preventiva, o prazo começa a correr. É um prazo obrigatório que nós temos que atender para concluir as investigações. Esta é uma das situações que vai fazer com que hoje muito provavelmente a gente encerre os nossos trabalhos e conclua esse procedimento para remeter ao Poder Judiciário”, frisou Graciela.
Por fim, a delegada esclareceu que cabe à Polícia Civil investigar condutas de militares estaduais quando configurarem crime doloso contra a vida de civis. “A Polícia Civil só pode investigar policiais militares quando o crime for doloso contra a vida, seja ele tentado ou consumado. Entendemos que havia indícios da prática da tentativa de homicídio. O Ministério Público concordou com o nosso pedido de prisão preventiva que foi decretada pela Justiça do Estado. Agora é apenas o início. Há uma longa jornada que começa depois do encerramento da investigação na esfera policial, que é o processo judicial”, concluiu.
Por Gazeta Sobradinho



