Um estudo pioneiro liderado por cientistas de diversas universidades brasileiras revelou que o uso de drones equipados com câmeras térmicas consegue localizar animais na natureza até 20 vezes mais rápido do que os métodos tradicionais. A tecnologia reduziu o tempo médio de detecção de um bicho de duas horas de busca a pé para apenas oito minutos, revolucionando o monitoramento de mamíferos arborícolas e de hábitos noturnos, como os porcos-espinhos.
A pesquisa, que durou quatro anos e foi publicada na revista Global Ecology and Conservation, concentrou-se em fragmentos de Mata Atlântica no Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na Serra de Baturité (CE), a tecnologia foi fundamental para monitorar o porco-espinho-de-baturité, uma espécie endêmica e bastante elusiva que vive no topo das árvores e que costumava exigir quase 19 horas de caminhada pela mata para que um único indivíduo fosse avistado. Durante o estudo, 198 minutos de voo com os drones foram suficientes para superar os resultados de mais de 4.400 minutos de expedições terrestres.
As missões ocorrem preferencialmente durante a noite e a madrugada, período em que esses animais estão mais ativos e o contraste térmico proporcionado pela ausência do calor do sol facilita a leitura das lentes. Ao detectar uma assinatura de calor no dossel da floresta, os pesquisadores aproximam o equipamento de forma cautelosa e acionam uma câmera de vídeo convencional para confirmar a espécie visualmente sem causar estresse ao animal.
Além de impulsionar os estudos populacionais, a ferramenta desponta como uma grande aliada para as operações de proteção ambiental. Os especialistas apontam que os drones termais poderão ser utilizados em larga escala para resgatar a fauna de forma ágil durante incêndios florestais ou antes de processos autorizados de desmatamento, salvando vidas e otimizando os custos das ações de manejo.
Post de Florestal Brasil



